É extremamente difícil acompanhar o nascimento de uma nova galáxia pelo simples fato de que elas, obviamente, nascem a uma distância de bilhões de anos-luz da Terra. Entretanto, graças ao atual conhecimento sobre o Universo e a evolução das tecnologias, cientistas conseguiram identificar uma galáxia em formato de anel de fogo brilhando em nossa direção e chegaram até a recriar a formação dela.

O trabalho foi liderado por Tiantian Yuan, astrônomo da australiana Swinburne University of Technology, e, além dele, também fazem parte do estudo mais cinco membros desta mesma universidade, três da The University of Western Australia, três da Texas A&M, nos Estados Unidos, um da Australian National University, um da Macquarie University — ambas também na Austrália — e um da Universidade de Gent, na Bélgica.  

A pesquisa também utilizou dados do W.M. Keck Observatory, localizado no Havaí, e do telescópio espacial Hubble.


A galáxia R5519

A "nova" galáxia descoberta pelo pesquisadores foi encontrada numa distância de, aproximadamente, 11 bilhões de anos-luz da Terra. E, segundo os estudiosos, estaria brilhando em direção ao nosso planeta. A beleza desta descoberta é que a galáxia tem umas características que não são comuns para o Universo moderno. 

A R5519 tem o formato de um anel plano de estrelas e tem um buraco no meio, que, provavelmente, foi formado por uma perfuração promovida por outras estrelas. Dessa forma, é uma clássica galáxia em anel colisional, nada frequente no Universo atual, mas até que usual nos tempos mais antigos. 

Este "anel de fogo" é especial

Segundo o estudo, que foi publicado no periódico Nature Astronomy, o fato da galáxia ser formada a partir da colisão de estrelas é algo raro. Isso porque este tipo de formação galáctica se dá numa proporção de um para mil casos. 

Além das suas especificidades, a existência desta galáxia neste formato causa um impacto nos estudos astronômicos. Segundo Kenneth Freeman, o fato de R5519 existir mostra que a formação de galáxias planas de anel ocorreu por mais tempo do que o previsto pelos cientistas, e isso, provavelmente, deve mudar a forma como alguns pesquisadores analisam o espaço.